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Departamento de Engenharia de Alimentos participa do desenvolvimento de tecnologia que torna suco de caju mais doce e nutritivo e menos “travoso”

Data da publicação: 26 de março de 2026 Categoria: Inovação, Notícias, Pesquisa

Uma pesquisa conduzida na Universidade Federal do Ceará (UFC) está transformando o perfil sensorial e nutricional do suco de caju. Utilizando tecnologias não térmicas, como ultrassom e plasma frio, os cientistas conseguiram reduzir drasticamente a adstringência da bebida (o famoso “travo” do caju) e, simultaneamente, aumentar a concentração de compostos benéficos à saúde.

 

Integração entre Departamentos

Os estudos foram realizados em uma colaboração entre o Departamento de Engenharia de Alimentos, do Centro de Ciências Agrárias, e o Departamento de Engenharia Química, do Centro de Tecnologia, da UFC. A união de expertises permitiu a aplicação de processos conhecidos como “tecnologias a frio”, que surgem como uma alternativa superior à pasteurização tradicional, uma vez que preservam nutrientes sensíveis ao calor, como a vitamina C.

 

Principais Descobertas:

Redução da adstringência: o uso de ultrassom reduziu  em quase 80% o teor de taninos, responsáveis pela sensação de “boca travada”, resultando em um suco mais aveludado.

Aumento nutricional: o processo elevou em 67% o teor de fenólicos totais (antioxidantes). Ao quebrar moléculas complexas, a tecnologia facilita a absorção desses nutrientes pelo organismo.

Doçura natural: o tratamento com plasma atuou como uma “tesoura molecular”, quebrando açúcares complexos em unidades mais simples (glicose e frutose), o que intensifica a percepção de doçura sem a necessidade de adição de açúcares externos.

 

Impacto no setor agrário

Além dos benefícios ao consumidor, a tecnologia promete fortalecer a cajucultura. Atualmente, grande parte do pedúnculo (a carne do caju) é desperdiçada no campo, com foco apenas na castanha. Ao tornar o suco mais palatável para mercados nacionais e internacionais, a pesquisa abre portas para o aproveitamento integral do fruto, gerando nova fonte de renda para o produtor rural e reduzindo o desperdício na cadeia produtiva.

O trabalho, publicado no Journal of Food Measurement and Characterization, contou com a participação das pesquisadoras Brenda Novais Santos e Dayanne Lara Holanda Maia, sob a orientação do Professor Fabiano André Narciso Fernandes (Engenharia Química) e da Professora Sueli Rodrigues (Engenharia de Alimentos).

Notícia elaborada com base em publicação da Agência UFC.

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