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Defesa de Tese no DENA

3 de junho de 2015

O aluno Alexandre Reuber Almeida da Silva defende hoje, 3 de junho, às 14 horas, a tese Coqueiro “Anão Verde” na Reabilitação de Solos Salinizados: Respostas e Adaptações às Interações entre Deficiência Hídrica e Salinidade, no Auditório do Departamento de Engenharia Agrícola (DENA)-CCA/UFC.

A banca examinadora será composta por:

  • Prof. Dr. Francisco Marcus Lima Bezerra (Orientador) – UFC
  • Prof. Dr. Claudivan Feitosa de Lacerda (Coorientador) – UFC
  • Profª. Dra. Aiala Vieira Amorim – UNILAB
  • Dr. Carlos Henrique Carvalho de Sousa – UFC
  • Prof. Dr. Cley Anderson Silva de Freitas – IFCE
  • Prof. Dr. Marlos Alves Bezerra – EMBRAPA/ UFC

RESUMO

Neste trabalho foram estudadas repostas morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e nutricionais, visando elucidar as possíveis estratégias adaptativas de plantas jovens de coqueiro, cultivar “Anão Verde”, envolvidas com sua tolerância às condições de múltiplos estresses abióticos, inerentes aos ambientes salinos do Perímetro Irrigado Morada Nova – PIMN, Ceará, no intuito de avaliar o potencial de estabelecimento da espécie, quando submetida aos efeitos dos estresses isolados e combinados salinidade do solo e deficiência hídrica, oferecendo suporte às estratégias que visam à reabilitação de áreas afetadas por sais no nordeste brasileiro. No experimento, conduzido em ambiente protegido, em Fortaleza, Ceará, avaliaram-se, sob delineamento estatístico de blocos casualizados, no arranjo de parcelas subdivididas, os efeitos de diferentes níveis de deficiência hídrica, mediante a imposição de distintos percentuais de reposições da evapotranspiração potencial da cultura – ETpc (20; 40; 60; 80 e 100%), associados à crescentes níveis de salinidade do solo (1,72; 6,25; 25,80 e 40,70 dS m-1), proporcionados pelos solos oriundos do PIMN. O crescimento e a produção de biomassa das plantas são acentuadamente reduzidos pelas condições de restrição hídrica e de elevada salinidade do solo, sendo aparentemente mais crítica à cultura a restrição hídrica. O grau de estresse hídrico é capaz de acentuar a suscetibilidade à salinidade. As plantas jovens de coqueiro mostram plena capacidade de estabelecimento nos solos salinizados do PIMN, até o nível de condutividade elétrica correspondente a 6,50 dS m-1, porém apenas quando o suprimento hídrico se mantém adequado. Para os níveis de salinidade mais elevados as plantas sobrevivem, contudo o porte das mesmas reduz-se em torno de 50%, mesmo quando plenamente irrigadas. Os mecanismos fisiológicos são efetivamente limitados quando a deficiência hídrica e a salinidade atuam isoladamente e/ou em conjunto. Os efeitos do estresse hídrico se mostram mais efetivos nas reduções dos parâmetros fisiológicos, em detrimento a salinidade do solo. As magnitudes das respostas fisiológicas das plantas ao suprimento hídrico e à salinidade dependem da intensidade do estresse. As respostas fisiológicas adaptativas das plantas estão relacionadas, principalmente, à regulação estomática. O coqueiro apresenta uma série de mecanismos de ajustes fisiológicos que conferem a espécie uma parcial tolerância aos estresses hídrico e/ou salino. Em condições de déficit hídrico e de salinidade do solo, as plantas apresentam reduções lineares nos teores totais de clorofilas. Os teores de carotenóides respondem aos efeitos combinados da disponibilidade hídrica e da salinidade do solo e refletem o antagonismo entre estes. Os íons salinos K+, Na+ e Cl-  contribuem relevantemente no ajustamento osmótico em plantas jovens de coqueiro, em detrimento aos solutos orgânicos, tanto nas folhas quanto nas raízes, sendo evidenciada uma aparente retenção radicular de íons. A salinidade não altera os teores dos solutos orgânicos, todavia, denotam-se incrementos nos teores foliares e radiculares de prolina livre em resposta à deficiência hídrica, que contribuem com a osmorregulação e/ou osmoproteção. A deficiência hídrica e a salinidade do solo interagem, afetando o estado nutricional das plantas, excetuando o nutriente P. Os teores foliares dos nutrientes N, Ca, S, Fe, Mn e Z crescem positivamente com a ampliação da disponibilidade hídrica e reduzem-se substancialmente com o aumento da salinidade. A interação dos menores níveis de deficiência hídrica com os maiores níveis salinos maximiza os teores foliares de Mg e Cu. Durante o estabelecimento das plantas jovens de coqueiro, a necessidade de macronutrientes obedece à ordem decrescente: N, Ca, Mg, S e P e à de micronutrientes: Fe, Mn, Zn e Cu. A nutrição das plantas mostra-se adequada, excetuando-se, os desequilíbrios observados nos nutrientes Mg, S e Mn.

Fonte: Prof. Francisco Marcus Lima Bezerra, professor do DENA – fone: 85 3366.9758