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Grupo de pesquisa do LEA-CCA/UFC coletam inimigos naturais de pragas do tomateiro na Ibiapaba-CE

6 de junho de 2016

A equipe de estudantes de graduação em Agronomia e de pós-graduação em Agronomia / Fitotecnia do Laboratório de Entomologia Aplicada (LEA) da Universidade Federal do Ceará (UFC), sob coordenação do professor Patrik Luiz Pastori, em visitas técnicas à região da Serra da Ibiapaba – Ceará encontrou populações naturais de um inimigo natural bastante utilizado no Brasil e no mundo chamado Trichogramma spp.

 A constatação ocorreu após a equipe iniciar coletas de frutos de tomateiro atacados por insetos-praga em áreas comerciais na região da Serra da Ibiapaba, mais especificamente na zona rural do município de Ubajara no princípio do ano de 2015. O material (tomates) contendo posturas/ovos das pragas possivelmente parasitados foi encaminhado ao referido laboratório, no qual posteriormente, foi constatado a presença dos inimigos naturais que passaram a ser criados para o desenvolvimento de pesquisas na área de controle biológico. No final de abril de 2016, uma nova expedição em áreas produtoras diferentes daquelas inicialmente visitadas encontrou uma nova população do parasitoide no município de Guaraciaba do Norte, também região da Ibiapaba.

A região da Serra da Ibiapaba é uma das maiores produtoras de tomates do Estado do Ceará e um dos grandes desafios enfrentados pelos tomaticultores é a ocorrência de insetos-praga da ordem Lepidoptera como: A traça-do-tomateiro (Tuta absoluta); a broca-pequena-do-fruto (Neoleucinodes elegantalis); a broca-grande (Helicoverpa zea) e a lagarta conhecida como Helicoverpa armigera, insetos que se alimentam diretamente dos frutos e que podem causar até 100% de perdas nas plantações.

O controle desses insetos-praga, na maioria das vezes, é realizado por meio do uso intensivo de inseticidas químicos, porém, uma das dificuldades de obter sucesso com esse método de controle é o hábito das pragas, uma vez que, as lagartas (fase imatura do inseto-praga que causa os danos na cultura) atacam ou mesmo penetram nos frutos, dificultando a ação dos inseticidas. Nesse sentido, os parasitoides Trichogramma spp. são hábeis/excelentes controladores desses insetos-praga uma vez que atacam a fase de ovo das pragas, impedindo o surgimento das lagartas e consequentemente os danos causados por elas.

No Brasil, mais especificamente e em maior quantidade nas regiões Sul e Sudeste, existem empresas que atuam no ramo de controle biológico produzindo e comercializando Trichogramma spp. Normalmente, o uso em campo ou os estudos são realizados com os parasitoides obtidos dessas empresas. Porém, nem sempre os inimigos naturais adquiridos estão adaptados para as condições nas quais serão realizadas as liberações em campo ou onde os estudos serão conduzidos, visto que, os parasitoides são sensíveis ao ambiente e, nem sempre, serão capazes de demonstrar a mesma eficiência em condições climáticas diferentes da região de origem. De acordo com a literatura especializada, é importante coletar, identificar e estudar a criação em laboratório, a eficiência e a posterior liberação desses parasitoides na mesma região considerando assim que os mesmos estão adaptados para as condições climáticas locais, o que aumenta consideravelmente as possibilidades de sucesso do programa de controle biológico. Dessa forma, no LEA-UFC, desde a coleta dos inimigos naturais em campo, os mesmos vêm sendo multiplicados e estudados visando a sua reintrodução nas áreas onde foram coletados, e até mesmo, fomentando a possibilidade de implantação de uma ou mais biofábricas no Estado para criação massal e fornecimento desses inimigos naturais aos produtores locais.

Destaca-se ainda que uma pequena parte dos inimigos naturais coletados em abril/2016 foi devidamente e legalmente enviada para identificação por especialistas uma vez que esses parasitoides são diminutos (Adultos com dimensões inferiores a 1 mm) e a identificação passa obrigatoriamente pelos pesquisadores especialistas no assunto. Assim, existe uma expectativa quanto à identificação dos parasitoides encontrados no Ceará, pois os mesmos podem pertencer à espécies já registradas ou então tratar-se de uma nova espécie de Trichogramma ainda não registrada pela ciência.

Fonte: Prof.Patrik Luiz Pastori, Departamento de Fitotecnia, fone: 08 3366.9680