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Universidade Federal do Ceará
Centro de Ciências Agrárias

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Panegírico a José Júlio da Ponte Filho

Data de publicação: 12 de março de 2013. Categoria: Notícias

O Professor Francisco Valter Vieira, do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Agrárias, escreveu um texto em decorrência do falecimento do professor José Júlio da Ponte Filho, no dia 18 de fevereiro. Confira, abaixo, o texto na íntegra.

Perdemos um mestre da ciência e da palavra – professor Francisco Valter Vieira

A transmudação do professor José Júlio da Ponte Filho do orbe terrestre, de onde veio à vida em 1934 e relativamente cedo, com 78 anos, para o verdadeiro viver no reino eterno, a todos, notadamente aos familiares e outros convivas pela profissão, atividades congêneres ou apenas conhecidos, surpreendeu, porque a sua idade, não tão longeva, destoada do seu fenótipo indicativo de eras adentradas no tempo de uma existência maior.  Inquieto, pois o grande tribuno e um dos lideres da antiga União Democrática Nacional e ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda, afirmava que só a inquietação é fecunda, José Júlio, por força de comportamento consentâneo, tinha o hábito irrenunciável à leitura aos livros e periódicos científicos, atitude também decorrente da condição de professor e pesquisador, mas amava e exteriorizava também a cultura literária, por isso era um inspirado orador, o qual nas suas manifestações em qualquer ambiente, em momentos comuns ou solenes, nunca leu uma peça escrita alusiva ao ato, mas sempre se exprimia de improviso, por ser de palavra fácil, fluente, de estilo belo e normalmente romântico. No exercício da docência preocupava-se com o linguajar dos alunos, corrigindo-lhes, infalivelmente, as impropriedades de concordância nominal e verbal e, nas provas escritas, bem como em outras tarefas escolares, era rigoroso na correção aos erros ortográficos, de modo que, o discente descuidado com o idioma pátrio poderia ser surpreendido com a nota da prova em Fitopatologia reduzida, às vezes, pela metade do seu valor, não propriamente por respostas a questões sobre a ciência das doenças de plantas, mas por ignorância ou limitações a predicados gramaticais da língua mãe. As aulas ministradas pelo professor em relato chamavam a atenção e até embeveciam a sua assistência: Estudantes de graduação, tecnólogos pós-graduados e, em cursos de extensão rural, pelo inusitado entusiasmo do docente que sua experiência chegasse ao agricultor do semiárido cearense, quiçá nordestino, acrescia-lhes uma conotação em sociologia rural, despertando, assim, mais o interesse de aprendizes de procedência de diversas regiões agropastoris em busca de tecnologias fitopatológicas atualizadas, considerando, ademais, os recursos audiovisuais explicativos e esclarecedores da matéria lecionada, desde o giz colorido, desenhos perfeitos sobre micro-organismos patogênicos e projeções da sintomatologia de vegetais infectados pelos minúsculos agentes depreciadores e mortíferos de plantas alimentícias exploradas pelo homem, além de outros recursos modernos facilitadores da aprendizagem por pessoas ávidas por conhecimentos em sanidade vegetal, ante aos quais, favorecidos e agradecidos, sempre realçavam a sapiência e a admiração pelo renomado mestre José Júlio. Portanto, pelo domínio judicioso e profundo que tinha da ciência representada pelas bactérias, vírus, nematoides, protozoários e organismos afins, inclusive adentrado fora na ciência entomológica (estudo dos insetos), estes, os principais vetores e transmissores dos tais organismos microscópicos às plantas, dos quais era inigualável e impar no Ceará, possivelmente em todo o Brasil, o valor e a fama do professor José Júlio da Ponte Filho como cientista e mestre da Fitopatologia impor-se-ão e crescerão à medida do tempo do seu desaparecimento.

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