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UFC é única do N-NE aprovada em edital sobre modelagem de sistemas terrestres

10 de julho de 2017

O projeto Modelo de Predição, Ajuste e Incremento da Capacidade de Suporte de Pastagens Naturais do Semiárido Brasileiro frente às Mudanças Climáticas, do pesquisador Magno José Duarte Cândido, foi o único do Norte e Nordeste a ser aprovado no edital da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) que aborda pesquisas para modelagens de sistemas terrestres.No total, apenas 10 projetos no Brasil conseguiram ser aprovados.

O Prof. Magno Cândido integra o Departamento de Zootecnia, do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Ceará. O projeto será realizado em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Universidade do Texas A&M (TAMU) e Centro de Assessoria e Apoio aos Trabalhadores e Instituições Não-Governamentais Alternativas (CAATINGA).

As propostas selecionadas visam garantir autonomia na geração de cenários futuros de mudanças climáticas, de usos da terra e urbanização, na escala de décadas a séculos.
O programa está dividido em cinco linhas temáticas, relacionadas ao desenvolvimento de modelagem do sistema terrestre. O prazo de execução das propostas será de cinco anos.

O Prof. Magno Cândido explica que o projeto deve estabelecer diretrizes para um manejo sustentável das pastagens e dos rebanhos no semiárido brasileiro, enfocando a preparação de um estoque de forragem a ser mantido na fazenda não somente para os meses secos do ano, mas também para os anos de seca, num planejamento alimentar de 20 anos. O planejamento deve considerar o impacto das mudanças climáticas na produção dessa forragem.

O projeto, orçado em R$ 241,5 mil, será desenvolvido em três etapas e parte da constatação de que, no Nordeste, a quantidade de animais criada pelos pecuaristas costuma ser superior à capacidade de suporte de suas terras, a chamada “taxa de lotação desajustada”.

A primeira parte do trabalho consiste em modelar parâmetros para a capacidade de suporte das fazendas da região em até 20 anos – que seria definir a “taxa ajustada” para cada produtor.

A partir da definição do tamanho do rebanho, o pesquisador pretende definir o que seria o “estoque de forragem”, ou seja, a quantidade de alimento a ser estocada na fazenda para cobrir as demandas do rebanho durante um longo período – 20 anos, por exemplo, incluindo-se os anos de chuva abundante e de seca extrema.

O pesquisador lembra que, devido à baixa produtividade das pastagens naturais, será necessário destinar áreas da fazenda para o cultivo de forrageiras exóticas adaptadas ao clima semiárido, como o sorgo, a palma forrageira ou o capim- búffel. “Uma das questões que precisamos responder é: com o uso dessas plantas, quanto conseguimos aumentar a capacidade de suporte?”, ressalta.

Na terceira fase, a ideia, explica o Prof. Magno Cândido, é criar um modelo capaz de prever quanto da produção de pastagem natural vai mudar com as oscilações climáticas e como isso afetará o tamanho do estoque de forragem a ser mantido na fazenda.

“A seleção de nosso projeto e de nossas parceiras representa o reconhecimento da sociedade científica quanto à importância da modelagem para o planejamento de longo prazo no manejo de pastagens naturais como meio para reverter o processo de degradação do bioma caatinga”, diz o pesquisador.

Fonte: Prof. Magno José Duarte Cândido – fone: 85 3366 9711 / e-mail: magno@ufc